PROPAGAÇÃO TRANSEQUATORIAL
Pôr PY3ABT Gilberto
Uma área de
pesquisa científica na qual os radioamadores podem justificadamente dizer que
tiveram papel importante, é no campo da Propagação Transequatorial, assim
começa o texto do Manual de VHF/UHF, da RSGB, a Associação de Radioamadores da
Grã-Bretanha, em sua quinta edição.
Com todo o
respeito a opinião dos colegas britânicos, não podemos no entanto esquecer
nossos antepassados radioamadores, que lá no início do século passado, foram os
pioneiros de toda a evolução das comunicações, transformando inclusive a
atividade amadora de uns em fortunas comerciais para outros.
Mas...
Voltando ao assunto da propagação transequatorial. A descoberta desta
tecnologia deu-se logo após a 2ª Guerra Mundial. Comunicados entre estações do
México e Argentina, são relatadas na revista QST de outubro de 1947. O relato
da RSGB cita que, alguns radioamadores empregaram 20 ou mais anos no
desenvolvimento de suas pesquisas, montando equipamentos, experimentando,
anotando os resultados.
Estes
relatórios dos radioamadores resultaram em material de alto valor científico. A
Revista Radio Comunications de junho/agosto de 1980, relata nas páginas 626 a
634 e 785 a 788, em artigo assinado por ZE2JV e 5B4WR, intitulado ´´20 anos de
transequatorial``,contatos entre a Europa e o sul da África. As primeiras
observações do... digamos, desvio em relação ao Equador Terrestre, foram feitas
nos 50 MHz. Posteriormente as experiências foram efetuadas também nos 28, 144 e
432 MHz..
Durante os
períodos de alta atividade solar, Constatou-se ser considerável a
confiabilidade de um caminho transequatorial. Nos 50 MHz, foi constatado um
pico de abertura das 18h45min até as 19h. Nos 144 MHz, usando 100 watts e uma
Yagi de 16 elementos, as aberturas entre Europa e o sul da África, chegaram a
se manter por até 2 horas, por volta da 20h local, horário de Chipre. Um alto fluxo
solar e uma baixa atividade geomagnética parece serem essenciais.
Os efeitos
das tempestades geomagnéticas, são menos influentes nos 28 a 50 MHz, do que nos
144 MHz. Outra constatação é que, há uma tendência acentuada para a ocorrência
de propagação transequatorial, próximos aos dias 27, particularmente na época
dos equinócios. No caminho Zimbabwe/Chipre havia um declínio neste período, o
que levou ZE2JV e 5B4WR a pensarem que havia uma peculiaridade deste caminho,
conectado de alguma forma com uma anomalia magnética no sul da África, a qual
dava uma elevação aos ângulos mais altos – as ondas magnéticas mais altas – até
ao final do sul.
Em
fevereiro de 1979, ZS6DN de Pretória e SV1AB de Atenas, alcançaram o recorde
mundial de um contato em 144MHz, através da ionosfera. Mas, na época da edição
deste texto, apareceram novos recordistas, ZS3B e I4EAT que, em 31 de março de
1979, estabeleceram contato de transmissão e recepção em ambas as direções numa
distância de 8.000km.
Oscilações
e ausência repentina de propagação ocorrem nos sinais de tempos em tempos, e
que, aumentam com a freqüência de transmissão. Nos 28 e 50 MHz, algumas vezes,
estas oscilações de propagação, tornam quase impossível a identificação dos
sinais em código Morse.. Nos 144 MHz, as interrupções de propagação são muito
rápidas, fazendo com que o sinal soe eventualmente áspero, assim como, na
escuta de estações comerciais de FM, quando há falhas de sintonia ou
posicionamento da antena interna.
Uma
amplitude de freqüência espalhada foi observada na ordem de 2 KHz ou mais. A
característica dos sinais pode mudar consideravelmente, de um dia para outro,
ou de uma hora para outra, de forma aleatória. Sob a melhor das condições, em
144MHz, SSB é apenas inteligível não concordamos com essa afirmação.