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HISTÓRIA
PADRE
LANDEL DE MOURA
UM POUCO DE
HISTÓRIA
LANDEL DE MOURA A história
do radioamadorismo se inicia com os experimentos do Padre
brasileiro Roberto Landell de Moura e do italiano Guglielmo
Marconi, que estabeleceram as primeiras transmissões
de rádio no final do século XIX e início
do século XX.
Através do grande senso empresarial, Marconi fundou
na Inglaterra uma empresa (The Marconi Company), e com investimentos
de empresários continuou seus experimentos e investigações.
Já Roberto Landell de Moura jamais explorou comercialmente
o seu trabalho.
Posteriormente amadores observaram que podiam também
se comunicar a longa distância como faziam as estações
comerciais.
Em face disto, foi criada em 1914 a Associação
Americana de Radioamadores (The American Radio Relay League
ARRL) , que foi incumbida a estabelecer normas para
este novo serviço que estava nascendo.
Veio a Primeira Guerra Mundial que causou uma suspensão
nas atividades e após o conflito o governo americano
mostrava-se receoso em autorizar qualquer tipo de transmissões.
Porém devido a grande quantidade de militares que se
envolviam a esta nova atividade e graças aos esforços
de Hiram Percy Maxim, um dos fundadores da ARRL, o radioamadorismo
foi liberado oficialmente em 01 de outubro de 1919.
Em 1920 as primeiras conferências internacionais estabeleceram
alguns critérios nas comunicações e para
os radioamadores ficaram definidas freqüências
em várias bandas entre 160 a 6 metros..
Local de onde Marconi Realizou a primeira transmissão
sem fio em 1899 e Qsl comemorativo de 100 anos do evento.
BRASILEIRO É O PIONEIRO DA
RADIODIFUSÃO MUNDIAL
O cientista e inventor brasileiro Padre Roberto Landell de
Moura, (1861-1928) é o pioneiro mundial na transmissão
da palavra humana utilizando o rádio, ou seja, ele
é o verdadeiro precursor da radiodifusão, (transmissão
e recepção radiofônicas).
É bom lembrar que o rádio que Marconi inventou,
só transmitia e recebia sinais de telegrafia (CW),
sendo portanto o pioneiro na radiotelegrafia - telégrafo
sem fio - não tendo se interessado ou conseguido transmitir
em fonia.
Segundo o Eng. Eletrônico e Eletricista Nicolas Dachin,
em artigo publicado na revista Antenna em jan/1969, o registro
da segunda transmissão da palavra humana deu-se em
25 de Dezembro de 1900, feito consignado ao Canadense-norte-americano
Reginald Aubrey Fessenden.
Gaúcho, Padre Landell desenvolveu seus estudos e experiências
a partir de 1893, especialmente em Campinas e São Paulo
(capital).
Vale ressaltar que diversos autores fazem referências
a experiências realizadas a partir de 1893/4, mas que
ainda não foram comprovadas.
O Jornal "O Estado de São Paulo" em sua edição
de 16 de julho de 1899 noticiava que o Pd Landell estaria
às 09:00hs no Colégio das Irmãs São
José, em Santana, para realizar uma experiência
de telefoneia sem fios, na presença de autoridades,
homens da ciência e imprensa.
Infelizmente não foi encontrado nenhuma notícia
informando do resultado da experiência. Entretanto,
é bom ressaltar, se o Pd Landell naquela época
já realizava demonstrações públicas
de seuis inventos, é uma demonstração
cabal de que já tinha obtido exito em experiências
efetuadas em Laboratório.
Comprovadamente, Pd Landell efetuou uma demonstração
pública de seu invento, na cidade de S. Paulo, no dia
03 de junho de 1900.
A sua vitoriosa experiência em 1900 foi assim noticiada
pelo Jornal do Comércio de 10 de junho de 1900:
"No domingo próximo passado, no alto de Santana,
cidade de São Paulo, o Padre Landell de Moura fez uma
experiência particular com vários aparelhos de
sua invenção, no intuito de demonstrar algumas
leis por ele descobertas no estudo da propagação
do som, da luz e da eletricidade através do espaço
(...), as quais foram coroadas de brilhante êxito. (...)
Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, o Sr P.C.P.
Lupton, representante do Govêrno britânico, e
sua família".
Injustiçado e incompreendido, o êxito das experiências
do padre Landell não tiverem a merecida acolhida pela
imprensa e autoridades brasileiras da época, o que
causou uma grande decepção ao ilustre cientista,
conforme se verifica em reportagem publicada no jornal "La
Voz de Espanã" (editado em S. Paulo), no dia 16
de dezembro de 1900 em que diz: "(...)quantas e que amargas
decepções experimentou Padre Landell ao ver
que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de
o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira
triunfal, fizeram pouco ou nenhum caso de seus notáveis
inventos(...)".
Em 1903, Arthur Dias, em seu livro "Brazil Actual"
faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre
outras coisas, o seguinte: "...logo que chegou a S. Paulo,
em 1893, começou a fazer experiências preliminares,
no intuito de conseguir o seu intento - transmitir a voz humana
a uma distância de 8, 10 ou 12 kilometros, sem necessidade
de fios metálicos. Após alguns mezes de penosos
trabalhos, obteve excellentes resultados com um dos apparelhos
construidos(....)O telefone sem fios é reputado a mais
importante das descobertas do Padre Landell, (...)e as diversas
experiências por ele realizadas na presença do
cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Lupton, e de outras
pessoas de elevada posição social, foram tão
brilhantes que o Dr Rodrigues Botet, ao dar notícias
desses ensaios, disse não estar longe o momento da
sagração do Padre Landell como autor de descobertas
maravilhosas (...)".
Observem que o livro foi escrito apenas 10 anos após
o início das experiências de Landell de Moura
em 1893, e 03 anos depois da vitoriosa demonstração
pública de 1900. Na época da publicação
do livros, Pd Landell estava nos USA patenteando seus inventos.
Os fatos não desanimaram Landell de Moura, que em 09
de março de 1901 obteve para seus inventos a patente
brasileira nº 3.279.
Meses depois seguiu para os USA, e em 04 de outubro de 1901
deu entrada de requerimentos no The Patent Office of Washington
pedindo privilégio para suas invenções,
tendo obtido, após muito sacrifício pessoal,
em 11 de outubro de 1904 a patente 771.917 , para um transmissor
de ondas; a 22 de novembro de 1904, a patente 775.337 para
um telefone sem fio e a 775.846 para um telégrafo sem
fio.
Seu trabalho foi notícia em 12.10.1902, no Jornal americano
"The New York Herald", em reportagem sobre experiências
desenvolvidas na época, inclusive por cientistas nos
USA, Alemanha e Inglaterra, na transmissão de sons
sem uso de aparelhos com fio.
Ressalta o jornal: ..."Por entre os cientistas, o brasileiro
Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos
deles tem dado atenção aos seus títulos
para ser o pioneiro nesse ramo de investigações
elétricas...Mas antes de Brigton e Ruhmer, Padre Landell,
após anos de experimentação, conseguiu
obter uma patente brasileira para sua invenção,
que ele chamou de Gouradphone...".
O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura,
sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada:
"Padre Landell de Moura - Inventor do telefone sem fio".
É importante ressaltar que a reportagem acima foi escrita
em um jornal americano, por jornalistas que conviveram com
Landell de Moura, e reconhecem que os seus feitos foram pioneiros.
Em 07 de setembro de 1984, em Porto Alegre, após um
magnífico trabalho de reconstrução coordenados
pelo Prof Otto Albuquerque, pela CIENTEC (Fundação
de Ciência e Tecnologia do RS) e a FEPLAN (Fundação
Educacional Padre Landell de Moura), foi feita uma demonstração
pública utilizando-se um rádio montado com os
mesmos materias usados à época por Landell de
Moura, tendo sido transmitidas algumas palavras pronunciadas
pelo então Governador Jair Soares.
A réplica do rádio encontra-se na FEPLAM em
Porto Alegre.
Mas não paramos por aqui...
Diversos artigos já foram publicados artigo em dezenas
de revistas e jornais brasileiros e no exterior, narrando
as experiências pioneiras de Landell de Moura.
O Prof. Otto Albuquerque em seu livro "No Ar a Luz que
Fala", e o Eng. Iwan Halasz, no livro "Handbook
do Radioamador", fazem minucioso estudo técnico
dos aparelhos inventados por Landell de Moura, não
deixando margens à dúvidas do seu pioneirismo
e funcionalidade.
O escritor Ernani Fornari, e o jornalista e estudioso B. Hamilton
Almeida, (entre outros) publicaramlivros baseados em extensa
pesquisa nos documentos doados por herdeiros do Pd. Landell,
bem como em pesquisas nas cidades em que ele viveu, demonstrando,
o pioneirismo de suas invenções.
No decorrer dos anos, dezenas de artigos foram publicados
ressaltando os feitos de Landell de Moura, em jornais e revistas
no Brasil, (como p. exemplo, A Folha de São Paulo,
O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil,
Zero Hora, Veja, Superinteressante, Rev. das Invenções)
bem como em Portugal, USA, Alemanha, Argentina, Uruguai e
Áustria.
As anotações deixadas por Landell de Moura foram
alvo de minucioso estudo realizado pelo Centro de Pesquisa
e Desenvolvimento da antiga TELEBRÁS, situado em Campinas/SP,
(que diga-se de passagem leva o nome do Padre Landell de Moura),
tendo se concluído pela validade de suas teorias.
Os originais das anotações estão em Porto
Alegre, no Museu Histórico e Geográfico do Rio
Grande do Sul.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES:
Nascido em Porto Alegre em janeiro de 1861, Landell de Moura
teve formação eclesiástica em Roma. Ordenado
sacerdote em 1886, voltou para o Brasil e desempenhou atividades
religiosas até sua morte, também em Porto Alegre,
já no importante cargo de Monsenhor.
Em Roma iniciou seus estudos de física e eletricidade,
nos quais aperfeiçoou-se como auto-didata no Brasil.
É bom lembrar que aqui, Landell de Moura estava isolado
dos grandes centros de pesquisas da época, especialmente
França, Inglaterra e USA, só tomando conhecimento
dos avanços tecnológicos que ali ocorriam meses
depois, pelas poucas publicações que chegavam
ao nosso país.
CONCLUSÃO:
Landell de Moura, um inventor e cientista que desenvolveu
suas experiências em nosso País, com parcos recursos
técnicos e financeiros, estranhamente, até hoje,
é um ilustre desconhecido da maioria absoluta do povo,
governo e comunidade científica, inclusive no Brasil.
Num país ainda tão carente em apoiar e desenvolver
sua produção técnica e científica,
deixar de prestigiar a obra de Landell de Moura, é
desperdiçar a oportunidade de reconhecer para a posteridade
os feitos e a glória de um dos grandes gênios
brasileiros.
GUGLIELMO MARCONI
25.04.1874 à 19.06.1937
Guglielmo Marconi nasceu na cidade de Bolonha, no dia 25
de abril de 1874, filho de Giuseppe Marconi e de Annie Jameson,
de nacionalidade inglesa e descendente de irlandeses.
Em 1880 estudou em Florença, no Instituto Cavallero,
em via delle Terme. Era um menino solitário e esquisito
que não conseguia fazer muitas amizades..
Em 1885 freqüentou uma escola na cidade de Livorno.
Seu interesse foi despertado pelas obras de Franklin, Volta,
Galvani, Maxwell e Hertz. Ao invés de brincar, passava
seu tempo construindo pequenos aparelhos..
De 1887 à 1889 estudou, com dois professores particulares,
física e eletromagnetismo. Foi influenciado, também,
pela obra do físico italiano Calzecchi-Onesti..
Em 1890 voltou para Villa del Grifone, em Pontecchio, perto
de Bolonha, onde os pais haviam passado a morar, recusando-se
a continuar os estudos e a freqüentar um liceu..
Passava seu tempo pescando, lendo e realizando pequenas experiências
científicas sem muita importância. Viveu um caso
amoroso, breve e sem conseqüências, com uma sua
prima inglesa, Daisy Prescott..
Em 1893 construiu, por brincadeira, uma campainha que tocava
a cada relâmpago no céu. Conheceu Augusto Righi,
grande físico italiano, inventor do coherer. Righi
o protegeu e o encaminhou a experiências mais sérias..
Em 1894 passou um breve período de férias,
juntamente com o irmão Luigi, numa estação
climática do Biellese, nos Alpes. Nessa cidade leu
um dos últimos artigos de Hertz. Voltou para casa,
recomeçando a estudar e pesquisar a transmissão
a distância de ondas eletromagnéticas. .
Em 1895, no mês de setembro, realizou sua primeira
experiência , entre a janela do sótão
onde havia montado seu laboratório, e um aparelho receptor
colocado a breve distância, no campo. Nos dias seguintes
repetiu a experiência, com sucesso, dessa vez deixando
uma colina como obstáculo às ondas hertzianas.
Aplicou antenas aos aparelhos de transmissão e de recepção,
descobrindo, assim, o acessório básico da radiotelegrafia.
Obteve a patente de nº. 12.039. O governo italiano se
recusou a ajudá-lo..
Em 1896, no mês de fevereiro, partiu para a Inglaterra,
onde os parentes o apresentaram a sir William Preece, diretor
dos Correios e Telégrafos. Realizou experiências
no teto do Post Office e na planície de Salisbury,
conseguindo uma transmissão de ondas a mais de 4 mil
metros de distância..
Em 1897 fez uma ligação radiotelegráfica
entre Pernarth e Weston, distantes 15 quilômetros. Fundou
a Wireless Telegraph Co. Ltd. Foi convidado para realizar
experiências na Itália, à presença
do rei. Voltou para a Inglaterra no dia 7 de outubro.
Em 1898, no mês de junho, inaugurou o serviço
telegráfico entre a ilha de Wight e Bournemouth, a
23 quilômetros de distância. Transmitiu por rádio
os resultados das regatas de Kinston, ao jornal Daily Express
de Dublin, com grande sucesso..
Em 1899 instalou seus aparelhos a bordo de muitos navios
do Almirantado britânico e do governo italiano. Ligou
o iate real, a bordo do qual viajava o futuro rei Eduardo
VII, com a ilha de Wight..
Em 1900 descobriu e aperfeiçoou a sintonização
dos aparelhos radiotelegráficos, obtendo, para isso,
a patente nº. 7.777. Enfrentou uma grande campanha de
difamação, organizada pelos donos das companhias
de cabos ransoceânicos..
Em 1901 transferiu-se para a Cornualha, onde, em Poldhu,
dirigiu os trabalhos para a instalação de uma
estação radiotelegráfica de grande potência.
Realizou uma experiência, transmitindo a 300 quilômetros
de distância, entre Cape Lizard, na Cornualha, e Santa
Catarina, na ilha de Wight. No dia 17 de setembro uma grande
tempestade atlântica derrubou as instalações
de Poldhu, Ele reconstruiu a estação, de maneira
mais simples e perfeita. No dia 16 de novembro partiu para
a Ilha de Terra Nova, ao largo do Canadá; no dia 12
de dezembro efetuou a primeira transmissão transoceânica
radiotelegráfica, provando que as ondas hertzianas
podiam superar a curvatura terrestre..
Em 1902 ganhou um processo movido pelos donos das companhias
telegráficas de cabos transoceânicos. Empreendeu
novas viagens, voltando para a Inglaterra no mês de
junho. Expansão rápida dos negócios.
Começou a construção de uma estação
radiotelegráfica em Glace Bay, no Canadá. Adaptou
o telefone ao aparelho receptor radiotelegráfico. Estudou
a estática e a interferência atmosférica.
De volta à Europa, é recebido pelo rei da Itália,
em Racconigi. Partiu, no dia 5 de novembro, para o Canadá,
onde tentou estabelecer um contato radiotelegráfico
auditivo entre a estação de Glace Bay e a de
Poldhu, na Inglaterra..
No dia 19 de fevereiro de 1903 a experiência é
coroada de êxito. Recebeu novas homenagens em todo o
mundo..
Em 1904 viveu um caso amoroso com Josephine Holman. Fundou,
em Nova York, a American Marconi Company. Novo caso amoroso,
dessa vez com Inez Milholland. Em Londres, conheceu Beatriz
Inchiquin OBrien. Seu pedido de casamento é recusado
pela jovem. Viajou para a Turquia e península balcânica..
Em 1905 falou-se em um seu noivado com Giacinta Ruspoli.
No mês de fevereiro voltou para Londres e pediu novamente
em casamento Beatriz Inchiquin OBrien. Foi aceito. A
cerimônia foi realizada no dia 16 de março, na
Igreja de St. George. Voltou rapidamente a suas experiências
e negócios..
Em 1906 nasceu sua primeira filha, Lúcia, que morre,
todavia, poucos dias depois. Em 1908 nasceu outra filha, chamada Degna..
Em 1909 os náufragos do navio inglês Republic
são salvos mediante emprego de mensagens radiotelegráficas
de socorro. Ganha o Prêmio Nobel de física..
Em 1910 nasceu seu único filho, Giulio..
Em 1911 inaugurou a estação de Coltano, perto
de Pisa, na Itália. Num acidente de automóvel,
perdeu seu olho direito..
Em 1912 a utilidade da radiotelegrafia é confirmada
pelo salvamento de quase oitocentos náufragos do Titanic,
um poderoso transatlântico, que viajava para Nova York
em sua viagem inaugural. Continua as pesquisas e fortalece
sua posição financeira..
Em 1914 é nomeado pelo rei da Itália senador..
Em 1915 participou com a patente de contra-almirante da Primeira
Guerra Mundial..
Estudou o emprego de ondas curtas..
Em 1916 nasceu Gioia Jolanda, sua terceira filha. .
Em 1919 fez parte da delegação italiana à
Conferência de Paz, realizada em Paris. Comprou do Almirantado
britânico um iate, Elettra, que o transformou
em seu laboratório particular..
Em 1920, no dia 15 de junho, a Estação Marconi
de Chelmsford, na Inglaterra, transmitiu o primeiro concerto
musical da história, com a participação
do soprano Nellie Melba. Agregou-se aos legionários
de DAnnuzio, na ocupação revolucionária
da cidade de Fiume, na Istria. .
Em 1922 continua as pesquisas sobre as ondas curtas. Divergências
com a esposa..
Em 1923 inscreveu-se no Partido Fascista italiano. Obteve
a anulação de seu casamento com Beatriz Inchiquin
OBrien..
Em 1924 realizou experiências com as ondas curtas de
30 metros de comprimento, aperfeiçoando e potenciando
ainda mais os aparelhos transmissores e receptores do rádio..
Em 1925 viveu um caso amoroso extravagante, com uma jovem
de apenas 17 anos, certa Betty Painter..
Em 1927 casou com a condessa Maria Cristina Bezzi-Scala,
de 26 anos de idade..
Em 1930, no dia 26 de março, iluminou da cidade de
Gênova, na Itália, por rádio, o Palácio
Municipal de Sydney, na Austrália, a 22.500 quilômetros
de distância. No dia 21 de junho nasceu a única
filha, de nome Elettra, de seu segundo casamento. No mês
de setembro foi eleito membro da Academia Real da Itália.
Foi nomeado, também, marquês..
No dia 12 de outubro de 1931, de Roma, iluminou, juntamente
com o Papa , a estátua do Cristo Redentor do Rio de
Janeiro, no morro do Corcovado..
Em 1933, na noite de 03 de outubro acendeu, com o mesmo sistema,
todas as lâmpadas da Exposição Internacional
de Chicago. Os americanos oficializaram o Marconi Day
em sua homenagem. Inaugurou uma linha telegráfica entre
o Vaticano e Castelgandolfo, residência de verão
dos pontífices..
Em setembro de 1935 viajou para o Brasil, onde foi recebido
de maneira calorosa. Por causa da chuva, ficou dois dias acamado.
Inaugurou a Rádio Tupi. Recebeu o título de
cidadão honorário de São Paulo. Foi acometido
por um ataque de angina durante uma grande recepção
no Teatro São Paulo, no bairro da Liberdade..
Em 1937 é nomeado membro do Grão-Conselho do
Fascismo. Comprou uma casa em Roma, na via Condotti. No mês
de março sofreu mais um grave ataque de angina pectoris.
No dia 17 de junho visitou o Papa em Castelgandolfo. No dia
18 acompanhou a mulher e a filha até a estação,
de onde os familiares partiram para a cidade de Viareggio.
Ele ficou em Roma. No mesmo dia é acometido por mais
um grave ataque, morrendo às 03:45 horas da manhã
do dia 19.
DIA DO RADIOAMADOR 05 DE
NOVEMBRO
A necessidade inerente aos seres humanos de se comunicar
o mais rápido possível levou, em 1835, Samuel
Morse a criar um código, que através da interrupção
da corrente elétrica com intervalos curtos (pontos)
e longos (traços) tornaria possível a comunicação
remota entre indivíduos, nascendo a telegrafia, em
inglês CW. Este código em homenagem ao seu criador
é denominado Código Morse.
Com a criação em 1906, nos Estados Unidos
da América, de uma rede telegráfica costeira
para tráfego operacional, seus operadores, em momentos
de folga, a usavam para conversação informal.
Esta atividade cada vez mais intensa podemos citar como o
início da atividade radioamadorística em telegrafia,
que só foi regularizada uma década após.
A comunicação através da palavra humana
utilizando as ondas eletromagnéticas de rádio
foi inventada pelo brasileiro Padre Roberto Landell de Moura.
Convém citar que o rádio inventado pelo italiano
Guglielmo Marconi só transmitia e recebia sinais de
telegrafia, aqueles criados por Morse.
Alguns autores citam que o gaúcho Landell de Moura
começou suas experiências a partir de 1893/4
ainda não comprovado, porém comprovadamente
efetuou uma demonstração pública acompanhada,
inclusive, por autoridades estrangeiras, no dia 03 de junho
de 1900, na cidade de São Paulo, feito noticiado pelo
Jornal do Comércio de 10 de
junho de 1900:
No Domingo próximo passado, no alto
de Santana, cidade de São Paulo, o Padre Landell de
Moura fez uma experiência particular com vários
aparelhos de sua invenção, no intuito de demonstrar
algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação
do som, da luz e da eletricidade através do espaço
(...), as quais foram coroadas de brilhante êxito (...)
assistiram a esta prova, entre outras pessoas, o Sr. P.C.P.
Lupton, representante do Governo britânico, e sua família.
As autoridades brasileiras de então e a imprensa
não deram valor as experiências de Landell de
Moura. Como foi ressaltado pela imprensa no jornal La
voz de España, editado em São Paulo, do
dia 16 de dezembro de 1900. Isto, porém nada o desanimou,
sendo que em 09 de março de 1901 obteve para os seus
inventos a patente brasileira n° 3.279 e em 11 de outubro
de 1904, após muito sacrifício pessoal, a patente
n° 771.917, do The Patent Office of Washington,
para um transmissor de ondas; em 22 de novembro de 1904, patente
n° 775.337 para um telefone sem fio e a de nº 775.846
para um telégrafo sem fio.
As anotações feitas por Roberto Landell de
Moura por ocasião de seus estudos e experimentos foram
minuciosamente estudadas pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento,
da antiga TELEBRÁS, tendo se concluído pela
validade de suas teorias. Este centro leva o nome de Padre
Landell de Moura. Os originais destas anotações
estão guardados no Museu Histórico e Geográfico
do Rio Grande do Sul. Seus estudos e seus inventos levaram a aparecer outros brasileiros
que desejavam transmitir e receber a voz humana emitida de
locais cada vez mais distantes. Surgem desta forma os primeiros
radioamadores e por não ser uma atividade regulamentada
eram considerados clandestinos.
São Paulo e Rio de Janeiro foram os primeiros Estados
do Brasil a possuírem radioamadores, seguidos do Rio
Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Pará.
Pesquisas nos indicam que o primeiro radioamador brasileiro
foi Lívio Moreira, em 1909. Ele era telegrafista profissional
do Departamento de Correios e Telégrafos. Usava o indicativo
SB-3IG.
Mais tarde em 1922 surgiu Demócrito Seabra que usava
o indicativo SB-2AJ, Seu cartão ostentava as letras
WS, abreviatura wireless station, nome pelo qual
eram denominadas as estações que operavam a
bordo de navios. Pouco antes de Demócrito surgiu José
Jonotskoff de Almeida Gomes, que operou a estação
de broadcasting da Westinghouse, instalada no
Alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, de onde transmitiu,
em 1922, numa demonstração, para o recinto da
Exposição do Centenário da Independência
do Brasil.
Verificamos que o Radioamadorismo existia no Brasil desde
1909, mas não era regulamentado, naquela época
eram perseguidos pelas autoridades, por serem considerados
clandestinos em uma atividade que era considerada privativa
do Estado, particularmente das Forças Armadas.
Em 05 de novembro de 1924, ou seja, exatamente há
setenta e sete anos passados, o Governo Brasileiro pelo Decreto
n° 16.657, que passou a legislar sobre o Serviço
de Radioamadorismo, reconhece o Radioamadorismo, tirando da
clandestinidade os seus praticantes e obrigando-os a submeter-se
a exames para obter a sua licença.
Os primeiros exames foram realizados pelo antigo DCT em
janeiro de 1925, no Rio de Janeiro, e em fevereiro de 1926,
em São Paulo.
Na década de trinta surgem no Brasil duas entidades
reunindo estes praticantes: uma em São Paulo e outra
na Capital da Republica, o Rio de Janeiro, sendo que em 02
de fevereiro de 1934 estas se uniram e foi criada a LIGA DE
AMADORES BRASILEIROS DE RADIOEMISSÃO LABRE,
hoje Confederação Brasileira de Radioamadorismo,
como a legitima e única representante dos radioamadores
brasileiros, tanto no âmbito nacional como internacional,
até os dias de hoje.
Em 29 de junho de 1943, pelo Decreto-Lei nº 5.629,
o Governo Brasileiro considerando o trabalho desenvolvido
por estes abnegados concidadãos, que sempre que são
chamados a colaborar estão prontos e não medem
esforços para melhor o fazer, considera os radioamadores
reservistas do Exército e da Aeronáutica, reserva
especial da Forças Armadas, dando-lhes algumas regalias
e considerando a sua entidade, a LABRE, como Associação
Civil de Utilidade Pública.
Os tempos passam, as ciências evoluem, mas os Radioamadores
continuam a ser aqueles experimentadores científicos
e de suas atividades novos inventos vem trazer melhorias para
a humanidade.
O correio eletrônico da Internet de hoje nada mais
é que uma decorrência das rudimentares estações
de packet radio, ou simplesmente estações
de radio pacote.
Muitos gostam de afirmar que a evolução da
informática fez diminuir o desenvolvimento do Radioamadorismo,
não somos seguidores desta afirmativa muito pelo contrário,
aceitamos dizer que esta evolução veio complementar
a atividade radioamadorística.
O dia 5 de Novembro foi escolhido para ser comemorado o Dia
do Radioamador Brasileiro por uma decisão unânime
do antigo Conselho Federal da LABRE, como preito de gratidão
ao Presidente Arthur Bernardes pelo seu Decreto de 1924.
RADIOAMADORISMO é CIÊNCIA, ESPORTE e CULTURA.
Ciência: pelos constantes estudos, experimentos e pesquisas
dos seus praticantes e, principalmente, pela difusão
ininterrupta e constante de seus resultados no nosso próprio
meio e mesmo no mundo científico.
Esporte: pelas diversas competições existentes,
seja de âmbito municipal, estadual, nacional ou internacional,
ocasião em que se confrontam esportiva e lealmente
indivíduos de todas as camadas sociais e profissionais
das sociedades nacional ou internacional. Não se espantem
se em breve o radioamadorismo vier a se constituir em uma
das modalidades olímpicas.
Cultura: pela troca constante de informações
das mais diversas naturezas entre seus praticantes, sem, contudo
serem abordados assuntos religiosos, políticos e comerciais,
salutar entretenimento em que fala sobre a sua localidade
(bairro, município, região e país), sua
gente, seus costumes, sua língua, seus divertimentos,
seus monumentos, seus fatos históricos, sendo que no
ano passado, juntamente com a sua co-irmã portuguesa,
a Rede de Emissores Portugueses REP, a LABRE instituiu
e distribuiu um maravilhoso diploma comemorativo dos 500 Anos
do Descobrimento do Brasil, com a colaboração
do Senado Brasileiro.
Podemos afirmar que os praticantes do Radioamadorismo são
a melhor e a mais barata mão-de-obra que o País
pode contar para complementar ou até mesmo suprir as
suas necessidades de comunicações, haja visto
a recente Portaria nº 302, de 24 de outubro próximo
passado, do Ministério da Integração
Nacional criando a Rede Nacional de Emergência de Radioamadores
RENER, como parte integrante do Sistema Nacional de
Defesa Civil SINDEC, que breve será regulamentada,
para tal foi criado um grupo de estudos constituído
por integrantes da Defesa Civil e da LABRE.
Sinto-me envaidecido de estar aqui representando a única
entidade reconhecida nacional e internacionalmente como a
legitima representante dos radioamadores brasileiros, a LABRE,
em nome da qual agradeço a gentileza dos Excelentíssimos
Senhores Deputados da Assembléia Legislativa do Estado
de São Paulo que com esta Sessão Solene homenageiam
àqueles que têm como sentimento maior a preocupação
no servir, sendo a sua máxima QUEM NÃO
VIVE PARA SERVIR, NÃO SERVE PARA VIVER
O VHF EM SANTA CATARINA
Álvaro Tancredo Dippold Júnior - PP5AJ
Até o início de 1979, o VHF em Santa Catarina
era praticado por grupos isolados de radioamadores de Joinville,
São Francisco do Sul, Itajaí, Blumenau, Florianópolis
e do sul do Estado. Entre os pioneiros pode-se citar PP5WB,
PP5RG, PP5AZ, PP5HD, PP5LS, PP5AJ, PP5DM, PP5MQ, PP5AJB, PP5HR,
PP5WH, PP5WI, PP5GA, PP5YC, PP5RV e PP5AQM.Esses primeiros contatos em FM nos 2 metros bem como o acionamento
das repetidoras de Curitiba e, nas inversões térmicas,
do Rio e de São Paulo, entusiasmou a diretoria do CRAJE
- Clube de Radioamadores de Joinville, a iniciar estudos,
visando implantar uma repetidora que viesse motivar o povoamento
do segmento de 144 a 148 MHz pelos radioamadores de Santa
Catarina.Graças ao apoio recebido na época dos colegas
PP5WI - Leon (Florianópolis), PY5BK - Chasko e PY5NV
- Nei (ambos de Curitiba), durante a realização
da Concentração de Joinville em outubro de 1978,
funcionou em caráter experimental, no Morro da Boa
Vista a repetidora 145.850 - 600 MHz. Os resultados foram
insatisfatórios, devido a pouca altitude do Boa Vista
(250 metros) e o alcance limitado a 50 km.
Baseados nos resultados de uma experiência bem sucedida,
de acionamento de repetidoras do Rio, São Paulo e do
Paraná e de comunicações diretas com
cidades do norte de SC e vale do Itajaí, a partir do
Morro do Cachorro, em Blumenau, onde a TV Coligadas Canal
3 tem o seu transmissor, local com altitude de 830 metros
em relação ao nível do mar, as atenções
dos radioamadores catarinenses voltaram-se para esse local.
Para a instalação da repetidora foi realizada
uma cooperativa, com um fundo especial liderado pelo CRAJE,
que requereu a licença junto ao DENTEL e contribuiu
com CR$ 12.000,00 para o projeto, sendo o restante do custo
de aquisição e instalação (CR$
60.000,00) cobertos por participações voluntárias
de CR$ 1.000,00 dos associados do CRAJE e colegas de outras
cidades.
Os resultados da iniciativa foram surpreendentes e graças
à colaboração da TV Coligadas de Blumenau,
na pessoa do técnico Acyr Aguiar - PP5WFM e ao trabalho
da equipe de radioamadores interessados, na histórica
data de 17.03.79 entrava no ar a PP5001 - CRAJE, no Morro
do Cachorro, repetidora pioneira de Santa Catarina, em 145.800
- 600 MHz.
Devido a falta de duplexador e de pequenas munhecadas dos
neófitos em instalação de repetidoras,
os primeiros 3 meses foram de dificultosos ajustes, resultando
em várias viagens de Júnior - PP5AJ de Joinville
ao Morro do Cachorro (180 km ida e volta) e a coragem e dedicação
do Maurici - PP5AQM, a ajuda de Acyr - PP5WFM, Landolino -
PP5LS, Toninho - PP5AZ e outros. Cabe lembrar que PP5AQM -
Maurici, foi o único colega com coragem de subir ao
topo da torre da TV Coligadas (42 metros) e lá instalar
a antena de transmissão da repetidora.
Em maio de 1979 a freqüência da repetidora PP5001
foi modificada para 145.820 - 600 MHz e a partir de então
o seu alcance normal, que é Curitiba-Florianópolis
no sentido Norte-Sul e Itajaí-Trombudo Central no sentido
Leste-Oeste, deixou de coincidir com a freqüência
de repetidoras de São Paulo e Rio, possibilitando,
nas inversões térmicas, também a colegas
do Sul do Estado bem como de São Paulo e do Rio a realizar
QSO's via Morro do Cachorro.
Graças ao sucesso total da PP5001, o tráfego
passou a ser intenso e novos colegas aderiram ao VHF, o que
levou os pioneiros, em memorável reunião realizada
em Blumenau a 02.09.79 a organizar nova cooperativa para a
aquisição de uma segunda repetidora, tendo sido
escolhido como local o Morro do Brilhante (entre Brusque e
Itajaí), sob a coordenação do CRAB -
Clube de Radioamadores de Brusque. Na histórica data
de 02.12.79, entrava no ar a repetidora do Brilhante, na freqüência
de 146.730 - 600 MHz.
A exemplo da primeira, os primeiros meses foram difíceis,
devido a infra-estrutura disponível no local, o que
levou o dedicado colega Maurici - PP5AQM a subir várias
vezes ao Morro do Brilhante, acompanhado dos colegas de Brusque
(Cavaco - PP5WRS, Heinz - PP5WHW, Osny - PY5TB) até
que, graças ao apoio da RBS - Rede Brasil Sul de Comunicações,
na pessoa do colega PP5AV - Cleto Carioni, foram definitivamente
instaladas as antenas e o repetidor.
A repetidora do Brilhante serviu para aproximar principalmente
os colegas de Florianópolis que passaram a ter melhores
condições de acionamento. Teve importante papel
comunitário, quando do trágico acidente do avião
da Transbrasil, no Morro da Virginia, em Florianópolis.
Os colegas do Sul do Estado acompanhavam com interesse os
excelentes resultados obtidos com os dois repetidores do Norte
de Santa Catarina e, como resultado de uma promoção
regional, em 29.12.79 entrava no ar a Repetidora de Tubarão,
no Morro do Camisão, na freqüência de 146.760
- 600 MHz. Participaram da instalação da mesma
os colegas do sul, PP5GA - Geraldo, PP5WDI - Edi, PP5WNF -
Carlos e os colegas PP5JS - Schneider (Florianópolis),
PP5WOZ - Cassiano (Blumenau), PP5AJ - Júnior (Joinville),
PY2TWL - Carlos Augusto (São Paulo, atual PP5CS). O
TV Clube de Tubarão emprestou a sua infra-estrutura
para a instalação da terceira repetidora de
Santa Catarina.
Considerando que a essa altura, uma repetidora de VHF não
era mais segredo, os colegas de Florianópolis PP5YF
- Edson, PP5EE - Eduardo, PP5WKS - Conrado, PP5WI - Leon,
PP5VV - Evilásio, PP5JS - Schneider, PP5LB - Brasil
e tantos outros, conseguiram, no dia 10.04.80 colocar no ar,
em 147.000 - 600 MHz, a repetidora do Morro da Cruz, de Florianópolis,
com a adaptação de dois transceptores digitais
e um amplificador linear, funcionando como um repetidor. O
sucesso foi total com tecnologia barriga-verde.
A cada dia que passa, os radioamadores vão se integrando
mais e mais, servindo às suas comunidades sempre que
necessário. A integração regional é
utilizada para encontros fraternos, divulgação
dos QTC's falados de PT2AA e PP5AA e aulas de telegrafia.
Novas repetidoras e experiências hão de vir
em Santa Catarina, visando o progresso das telecomunicações
em um radioamadorismo integrado, pois, como disse Hiran Percy
Maxim, o grande presidente fundador da ARRL, há
sempre uma nova maneira de ver as coisas e de senti-las.
E assim, foi escrita mais uma página da história
do radioamadorismo em Santa Catarina.
RADIODIFUSÃO
A radiotransmissão destinada à recepção
e ao uso geral do público denomina-se radiodifusão.
Na sua forma mais simples, a radiodifusão é
utilizada para a divulgação sistemática,
pelo rádio, de programas educacionais e recreativos,
noticiários e informações diversas, sempre
destinados à recepção simultânea
pelos aparelhos radiorreceptores localizados na área
de receptividade da estação transmissora.
Como toda descoberta decorrente da evolução
científica, também a radiodifusão resultou
de uma seqüência ininterrupta de contribuições
recebidas de numerosos cientistas de todas as partes do mundo,
durante um longo espaço de tempo. A invenção
da válvula de rádio audion em 1906, pelo engenheiro
norte-americano Lee de Forest (1873-1961), possibilitou a
produção de variações eletromagnéticas
capazes de transmitir as configurações da voz
humana. Já no último quartel do século
XIX, homens como Thomas Savery, William F. Cooke, Charles
Wheatstone, Samuel Finley Breese Morse, Joseph Henry, Von
Bezold, James Clerk Maxwell, Heinrich Rudolph Hertz, Édouard
Branly, Oliver Joseph Lodge, Nikola Tesla, Padre Roberto Landell
de Moura, Guglielmo Marconi, e outros, haviam estabelecido
as bases científicas para a nova invenção.
Em 1873, James Clerk Maxwell completou a sua teoria sôbre
as ondas eletromagnéticas, utilizada posteriormente
na radiotransmissão. A luz e o som propagam-se em tôdas
as direções, isto é, são ondas
concêntricas e esféricas; também assim
procedem as ondas de rádio. Sabendo Maxwell que as
ondas extraordinariamente curtas afetam o nervo ótico,
produzindo a sensação de luz, sustentava que
deviam existir ondas análogas, mas de maiores extensões,
que poderiam produzir efeitos eletromagnéticos.
Foi, porém, Heinrich Rudolph Hertz que, mediante poderosas
descargas elétricas, conseguiu, em seu laboratório,
em Karlsruhe, Alemanha, transmitir os impulsos de uma sala
para outra, estabelecendo definitivamente a teoria de Maxwell
e demonstrando, também, a íntima relação
existente entre a luz e a eletricidade.
Numerosos cientistas entregaram-se então a explorar
as possibilidades práticas destas descobertas. Entre
eles foi, porém, Padre Roberto Landell de Moura e Guglielmo
Marconi que tiveram êxito final.
Em 1893 o brasileiro Padre-cientista Roberto Landell de Moura
realizava, em São Paulo, do alto da Avenida Paulista
para o alto do Morro de SantAna, as primeiras transmissões
de telegrafia e telefonia sem fio, com aparelhos de sua invenção,
numa distância aproximada de uns oito quilômetros
em linha reta, entre aparelhos transmissor e receptor, presenciada
pelo Cônsul Britânico em São Paulo, Sr.
C. P. Lupton, autoridades brasileiras, povo e vários
capitalistas paulistanos. Tratava-se da primeira radiotransmissão
da qual se tem notícias. Só um ano depois foi
que Guglielmo Marconi iniciou as experiências com seu
telégrafo sem fio. Em virtude de brilhante êxito
de suas experiências inéditas, em nível
mundial, Landell de Moura obteve uma patente brasileira para
um aparelho destinado à transmissão phonética
à distância, com fio ou sem fio, através
do espaço, da terra e do elemento aquoso, patente
nº. 3.279. Era o dia 09 de março de 1901. O mérito
do Padre Landell de Moura é ainda maior se considerarmos
que desenvolveu tudo sozinho.
Guglielmo Marconi iniciou as suas investigações
por volta de 1894, quando conseguiu enviar sinais fracos a
cerca de 100 metros. O progresso foi rápido, pois,
já nos dois próximos anos, alcançava
pouco mais de 1 km e, logo depois, enviava mensagens a 5 km.
Como as suas atividades científicas encontrassem pouco
apoio na Itália, mudou-se para a Inglaterra. A Rainha
Vitória encontrava-se enferma, na ilha de Wight, quando
foi possível transmitir para Londres, através
do aparelho de Marconi, notícias sobre o seu estado
de saúde. Tal fato despertou geral interesse, e o método
de comunicação utilizado por Marconi teve repercussão
mundial. Em 1896, Marconi patenteava o primeiro aparelho transmissor
sem fios.
Guglielmo Marconi prosseguindo no desenvolvimento de seu
aparelho, em dezembro de 1901, conseguiu transmitir sinais
correspondentes à letra S do Código Morse, de
Poldhu, na Cornualha, Inglaterra, para o outro lado do Atlântico,
a uma colina situada na Baía de St. Johns, na Terra
Nova. Daí por diante, a evolução do telégrafo
foi rápida, valendo-se do código de Morse, composto
de pontos e traços, ou sejam, transmissões de
sinais de diferentes durações.
O problema da transmissão das vibrações
características do som, contudo, não era ainda
possível resolver com o aparelho inventado por Marconi.
Era preciso encontrar-se a maneira de enviar ondas de amplitude
uniforme, em vez das ondas amortecidas dos primeiros aparelhos
radiotelegráficos. Por outro lado, para que os receptores
pudessem selecionar as determinadas estações,
era necessário que as freqüências fossem
uniformes. Uma vez que se pudesse variar, à vontade,
a amplitude das ondas de modo a fazê-las corresponder
às variações das radiofreqüências,
seria possível imprimir às ondas eletromagnéticas
o perfil particular das ondas sonoras, e, com isso, resolver-se
o problema da modulação, que consiste em fazer
variar a freqüência ou amplitude de uma onda em
concordância com a onda de sinal de rádio.
Quanto se saiba, o primeiro programa irradiado foi o do Professor
Reginald Aubrey Fessenden, em Brant Rock, Massachusetts, nos
E.U.A., na noite de Natal de 1906. O programa consistiu de
música e de uma alocução própria
das festividades.
Lee de Forest, em 1908 realizou com sucesso uma irradiação
da Tôrre Eiffel, em Paris.
Em 1910 se fazia a primeira transmissão do programa
de Enrico Caruso da Metropolitan Ópera, de Nova York.
Só depois da I Guerra Mundial é que verdadeiramente
começou a incrementar-se a radiodifusão.
No início, quase que só radioamadores é
que difundiam programas de músicas de discos. A curiosidade
do público sempre crescente deu origem aos interesses
comerciais, resultando, assim, as organizações
com finalidades de divulgação de informações,
propaganda comercial e divertimentos.
A radiodifusão propriamente dita, surgiu em 2 de novembro
de 1920, com a estação KDKA, de Pittsburgh,
Pensilvânia, E.U.A., primeira radiodifusora regular,
organizada pela Westinghouse Electric and Manufacturing. Serviu-se
do sistema conhecido por AM ou Modulação de
Amplitude.
Logo em seguida a estação WGY, mais tarde com
os prefixos WGEA e WGEO, da General Electric Co., em Schenectady,
entrou em funcionamento; no princípio apenas para fins
experimentais mas, em pouco tempo, tornou-se a mais possante
e talvez a mais conhecida estação de broadcasting
de todo o mundo.
MODULAÇÃO DE AMPLITUDE - AM
Dentre os diversos métodos inventados para a solução
do problema de modulação de amplitude, a válvula
termoiônica audion se impôs rapidamente sobre
todos os outros.
Em 1883, Thomas Alva Edison notou que todo o filamento, ao
ser aquecido no vácuo, emite um fluxo de elétrons,
que pode ser regulado mediante uma grade adequadamente colocada.
John Ambrose Fleming, investigando em 1904 o chamado Efeito
de Edison, conseguiu inventar uma válvula de
placa e filamento, à qual, em 1906, Lee de Forest acrescentou
a grade. Quando se submete a grade a uma variação
de tensão muito fraca, em determinadas condições
elétricas, tem-se como efeito uma variação
consideravelmente maior na tensão elétrica entre
o filamento e a placa. Assim, os impulsos fracos recolhidos
pela antena e terra podem ser transmitidos ao circuito grade-filamento
e amplificadas no circuito filamento-placa.
Para torná-los ainda mais fortes, quando necessário,
os impulsos podem ser comunicados a uma nova válvula
e repetir-se o processo até alcançar a potência
desejada.
A válvula oferece ainda as propriedades de um retificador.
Se é proporcionada corrente alternada ao circuito grade-filamento,
obtém-se uma fonte de corrente contínua de diversas
intensidades, e este é, precisamente, o tipo de corrente
necessário ao funcionamento da membrana de um auricular
ou bobina de um alto-falante. Este processo, pode, pois, resolver
o problema da transmissão dos diversos sons. Os sons
recebidos pelo microfone são transformados em correntes
de intensidades diferentes, que depois são conduzidas
à válvula transmissora. Ali essas variações
se traduzem em ondas sucessivas de diversas amplitudes.
Este processo de modulação torna compreensíveis
os sinais incorporados às ondas hertzianas portadoras.
No aparelho receptor, as ondas recebidas dão origem
a correntes que são conduzidas, ora diretamente, ora
por meio de sistemas sintonizadores providos de indutância
e capacitância, até o filamento e a grade da
válvula empregada como detectora. Aqui os impulsos
produzem variações na intensidade da corrente
que vai da placa ao filamento. Amplificados tais impulsos,
a seguir, por válvulas adicionais, essas variações
atuam sobre a membrana do auricular receptor telefônico
ou sobre a bobina do alto-falante, produzindo vibrações
semelhantes às do som original.
Este sistema tem como objetivo produzir ondas moduladas,
mediante a variação da amplitude das ondas de
radiofreqüência.
MODULAÇÃO DE FREQÜÊNCIA - FM
Existe, porém, um outro sistema denominado de Modulação
de Freqüência, inventado em 1936, por Edwin Howard
Armstrong, no qual se faz variar a freqüência e
mantém-se constante a amplitude da onda hertziana.
Dois são os métodos principais utilizados para
reduzir os ruídos que interferem na recepção.
O primeiro aumenta a potência do transmissor e o segundo
aumenta a modulação. A modulação
máxima de um sistema A.M. é obtida quando a
amplitude da onda modulante é igual a amplitude da
onda de radiofreqüência. No sistema F.M. a modulação
máxima é limitada pela faixa de radiofreqüência
que pode ser enviada e recebida. Enquanto as faixas designadas
para as estações do sistema de A.M. são
limitadas a 10 kc por segundo, as de F.M. alcançam
até 200 kc por segundo.
Este sistema é hoje geralmente empregado na radiodifusão
e também utilizado para transmitir o som das emissoras
de televisão.
ASPECTOS TÉCNICOS
Em meados do século XX, existiam cinco tipos distintos
de radiodifusão, que podem ser assim classificados:
l - radiodifusão regional de ondas longas; 2 - radiodifusão
internacional de ondas curtas; 3 - radiodifusão de
freqüência modulada ou F.M.; 4 - radiodifusão
de imagem ou televisão ou TV, e 5 - radiodifusão
de fac-símile.
Em muitos aspectos, a técnica adotada é semelhante;
em outros, difere bastante. São elementos essenciais:
(1) estúdio, microfone e equipamento transmissor capaz
de gerar corrente de alta freqüência, modulando-a
de acordo com o programa a ser irradiado e irradiando ondas
eletromagnéticas com intensidade aproximadamente igual
em todas as direções, e (2) qualquer número
de receptores situados em vários lugares onde possam
detectar as ondas irradiadas e reproduzir o programa original.
Tal sistema é considerado como radiodifusão,
tanto de som como de imagem, sendo que o de imagens em movimento
é conhecido por televisão e o de imagem estacionária
é denominado fac-símile. Este último
é muito utilizado pela imprensa na divulgação
de radiofotografias.
Na radiodifusão de som, o microfone transforma as
várias pressões de ar das ondas sonoras em flutuação
da corrente elétrica. As correntes produzidas são
imagens elétricas do som, que, depois de amplificadas,
são encaminhadas ao transmissor para modulação
da onda irradiada. Esta onda, de freqüência alta,
serve apenas para transportar os sinais aos locais distantes
de recepção. Por isso dá-se-lhe o nome
de onda portadora.
Ao passarem pelas antenas de receptores ajustados, as ondas
produzem correntes de alta freqüência, nas quais
a modulação continua preservada. O circuito
do receptor elimina a onda portadora do sinal por um processo
denominado detecção, a fim de extrair a informação
trazida pela modulação. Neste estágio,
a informação é convertida em uma corrente
elétrica substancialmente idêntica à corrente
variável do microfone das estações transmissoras
distantes. As correntes do receptor atuam sobre o diafragma
do alto-falante que, por processo inverso ao do microfone,
produz variações de pressão no ar ambiente,
resultando daí o som original.
RADIODIFUSÃO NO BRASIL
A primeira irradiação pública de nosso
país foi feita no Rio de Janeiro, em 7 de setembro
de 1922, com o discurso do Presidente Epitácio da Silva
Pessoa, inaugurando a Exposição do Centenário
da Independência. A irradiação foi feita
através da Estação de prefixo S.P.C.,
instalada no alto do Corcovado, por iniciativa de Westinghouse
Electric Internacional e da Cia. Telefônica Brasileira.
Era uma transmissora pequena montada especialmente para os
festejos da Exposição do Centenário e,
por isso, teve vida curta.
Somente em 20 de abril de 1923 surgiu, verdadeiramente, a
primeira radiodifusora brasileira: a Rádio Sociedade
do Rio de Janeiro. Daí por diante o progresso foi rápido,
pois logo foram instaladas radiodifusoras em quase todas as
capitais dos Estados. O seu número, sempre crescente,
teve desenvolvimento maior depois da II Guerra Mundial.
Já em 1954 existiam quase 500 emissoras e, em 1962,
o Brasil já se apresenta como a maior potência
radiofônica da América do Sul.
A radiodifusão é uma das modalidades mais importantes
da radiocomunicação, porque exerce sobre os
radiouvintes marcante influência, graças à
ampla penetração em todos os lares.
A primeira lei reguladora dos serviços de radiocomunicação
no território brasileiro foi publicada em 27 de maio
de 1931, Decreto nº. 20.047. Até então,
todas as concessões eram reguladas pelo órgão
competente do Ministério da Viação e
Obras Públicas. Seguiram-se outras leis, portarias
e regulamentos. Contudo só em 1962 se deu início
a uma legislação que pretende ser completa sobre
todos os aspectos da radiodifusão brasileira.
É interessante mencionar o fato de que já em
1892, em Mogi das Cruzes, São Paulo, o Padre-cientista
Roberto Landell de Moura (1861-1928), brasileiro, natural
de Porto Alegre-RS, realizando experiências com um rústico
aparelho e utilizando uma válvula, semelhante à
de Crookes, de três eletródios, conseguiu transmitir
e receber a palavra humana através do espaço,
sem o emprego de fios. Tendo aperfeiçoado o seu aparelho,
em 1893 fez novas experiências na cidade de São
Paulo, da Avenida Paulista ao Morro de SantAna. Em 9
de março de 1901 obteve a patente brasileira de nº.
3.279, para transmissão da palavra a distância
com e sem fios.
Em julho de 1901 partiu com destino a América do Norte,
instalando seu gabinete de física em Nova York, distrito
de Manhattan, onde permaneceria por três anos, fazendo
ensaios e experiências.
Nos Estados Unidos, em 11 de outubro de 1904, obteve a patente
nº. 771.917, para um Transmissor de Ondas e, em 22 de
novembro de 1904, a de nº. 775.337, para um Telefone
sem Fio e, na mesma data, a de nº. 775.846, para um Telégrafo
sem Fio.
Desejando fazer demonstrações de seus inventos
com navios de guerra no Rio de Janeiro, solicitou auxílio
ao governo, nada conseguindo. Desiludido, voltou à
sua terra natal, para se dedicar, daí por diante, somente
aos seus paroquianos. As patentes, depois de expirados os
prazos de garantia, caíram no domínio comum.
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